Auditores fiscais apresentam propostas para suspensão
da greve
Cerca de 5.000 auditores fiscais da Receita Federal do
Brasil decidiram, na Assembléia Nacional Conjunta de 4ª. Feira, (30.04) pela
manutenção da greve e pela comunicação ao Governo de que estão dispostos a
suspender o movimento se houver negociação séria com as entidades sindicais.
A intransigência e inabilidade do Governo nos levaram à
maior greve da história. Apresentamos nossas reivindicações em agosto/2007;
participamos de mais de 30 reuniões, ao longo de 7 (sete) meses, e só entramos
em greve em março de 2008, após impasse na negociação.
O Governo nunca negociou de fato. Apresentou propostas
genéricas e as retirou. Incluiu exigências que não foram feitas a outras
carreiras do Executivo e que podem levar à politização da Receita Federal, com
riscos para o cidadão-contribuinte e para a democracia.
As negociações avançaram um pouco, na última semana, pela
pressão dos parlamentares. No entanto, após a discussão do SIDEC - Sistema de
Desenvolvimento na Carreira, o representante do Governo declarou-se
incompetente para discutir os demais itens da pauta, exigiu a suspensão de
greve e afirmou que poderia continuar a conversar, sem garantia de atendimento
de nada. Não houve, assim, motivo para suspensão da paralisação.
Registramos que lamentamos os prejuízos causados à
economia nacional e os transtornos para os cidadãos.
Esperamos retomar nosso trabalho visando:
- garantir os recursos para a manutenção dos serviços
públicos e da seguridade social;
- combater a sonegação, o contrabando e o descaminho; a
remessa ilegal de divisas; a lavagem do dinheiro da corrupção e da sonegação;
o crime organizado.
Denúncia dos riscos da politização do Fisco
Está em
andamento uma tentativa de politização da Receita Federal:
a)
Por meio da
transferência das atribuições legais e constitucionais dos Auditores Fiscais
para os ocupantes de cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração,
portanto vulneráveis a pressões políticas e do poder econômico;
b)
pela implantação
de sistema de desenvolvimento na carreira que retira a independência de
atuação dos fiscais, privilegia a subserviência e instaura a competição
interna;
c)
pela eternização
nos cargos dos “gerentes” e “gestores”;
d)
pela aplicação
de métodos de gestão da iniciativa privada ao trabalho dos Auditores Fiscais,
que são autoridades administrativas definidas na Constituição Federal, no
Código Tributário Nacional e leis federais.
Esse
processo já foi implantado no Fisco de Minas Gerais e está em andamento em SP,
com assessoria privada e financiamento internacional.
A atuação
da Receita Federal poderá vir a ser colocada a serviço dos partidos políticos
que estiverem momentaneamente no Poder, o que será um enorme retrocesso na
democracia brasileira.
Belo Horizonte, 02 de maio de 2008
COMANDO REGIONAL DE MOBILIZAÇÃO